sexta-feira, 22 de abril de 2011

Mither v. (Britânico) irritar, importunar; reclamar

Desassossegado
Pensei te bordar em verso
Mas paralisei
Já és epígrafe de um verbo

à Mither Amorin

sábado, 26 de março de 2011

Velações...

Anseios como tripas inquietas percorrem os descaminhos do meu dentro.
Fincadas no barro da existência, caladas de letras ou logicismos tudo é pulsar.
Desespero quando tudo aqui quer ser ao mesmo lugar e tempo.
Lá e cá na testa e no mindinho a angústia circula no meu veneno.

Deixa-la partir nas razões é vão
Ela jamais tomara o rumo da prosa.
Tranca-la à sete mágoas da consciência!
Mas não tardaria de virem mil anos para fazer do cemitério
Terreno remexido e tornar a se abrir o caixão.
O que finda em mim pede cerimônia de Adeus
Beber o morto, cafezinho vela e sermão...

Cessa teu vagar espírito de apego!
Deixa a barriga digerir e obrar
Qualquer pedaço que pode o desejo abocanhar


Ítalo Mazoni

segunda-feira, 21 de março de 2011

Só...

Só choro
Só Grito
Só Calo

Só vivo
Só Morro
Só Sou

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Leia de baixo para cima....

GmailItalo Mazoni dos Santos Goncalves

[etnopsicologia] Nova aluna da UFBA é exemplo de superação

Italo Mazoni 11 de fevereiro de 2011 22:23
Para: etnopsicologia@yahoogrupos.com.br
Não podemos esquecer que exceções são boas para quem é uma delas. Mas para o restante dos jovens submetidos a um sistema de educação perverso, as exceções e sua midiatização colaboram para fortalecer a idéia de que através do esforço individual é possível chegar lá, maquiando todas as distorções presentes nas escolas públicas de nosso estado. Distorções estas que perpetuam não o que é singular, mas sim a regra: pobre continua pobre e rico continua rico. A elite intelectual rica é formada nas universidades públicas e os exércitos de reserva são treinados nas faculdades de segunda categoria para depois obedecerem a elite.

Só pra não esquecer...

Abraços a todos

Ítalo

Em 11 de fevereiro de 2011 19:52, Lélia Custódio <leliacustodio@yahoo.com.br> escreveu:

Nova aluna da UFBA é exemplo de superação
09/02/2011 - 13h01
Mona Lisa venceu barreiras para entrar na universidade
A aprovação no vestibular da UFBA para o curso de História deu à estudante Mona
Lisa Nunes de Souza uma fama inesperada. De acordo com análises pessimistas, ela
tinha tudo para ser mais um de tantos excluídos, mas sua perseverança fez dela
um exemplo de superação. Casada, aos 23 anos a futura historiadora sobrevive
vendendo picolés e sorvetes e teve sua história de vida contada em reportagem do
jornal Correio* do dia 7 de fevereiro também foi transmitida para o Brasil
inteiro pelo telejornal da Rede Record. Nesta terça-feira (8 de fevereiro), Mona
Lisa foi conhecer a Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, onde terá aulas,
sendo recebida pelos professores Joviniano Neto, Cássia Maria M. Carletto,
coordenadora do curso de História, e Jocélio Teles da Silva Souza, coordenador
do Programa de Pós-Graduação em Estudos Étnicos e Africanos da UFBA (Posafro).

www.ufba.br

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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Ira - s. f. 1. Cólera, raiva contra alguém. 2. Indignação. 3. Desejo de vingança.

(Por Ítalo Mazoni)

Personagens: JOVEM 1 e JOVEM 2

CENA 01 – INT/NOITE VARANDA

Da varanda do alto de um prédio o JOVEM 1 observa o vale circundado por outros prédios de apartamentos, com suas varandas e janelas banhadas por luzes amarelas, brancas e azuis. Seu olhar percorre com curiosidade e displicência as molduras iluminadas se detendo em algumas. No escritório de um homem que lê. No casal que discute. Na cama que é arrumada para o sono. Na sala onde uma grande TV está ligada no Jornal da Globo e por fim em uma varanda onde um homem toca violão. Ao termino do passeio de seu olhar pelos prédios vemos o jovem de perfil. Ele gira e entra no quarto pela porta que está atrás de suas costas. A câmera permanece fixa e podemos ver toda a parede que estava parcialmente coberta pelo jovem. Ela está cheia de grafites, frases, desenhos. É possível notar que várias pessoas contribuíram para a formação daquele mosaico.

CENA 02 – INT/NOITE VARANDA

A câmera continua fixa diante da parede e ouvimos em off uma troca de falas irônicas que terminam em uma raivosa discussão

Jovem 1 (irônico)

É NÉ, A CRIANÇA JÁ FOI DORMIR.

Jovem 2 (brigando)

Ô RAPAZ, FALE BAIXO AI QUE AMANHÃ EU TENHO AULA.

Jovem 1 (Respira profundamente e diz com indignação e raiva)

APAGAR A LUZ ÀS 23 É MESMO O FIM, NÃO POSSO TOCAR, NÃO POSSO ESCRERVER, NÃO POSSO LER E AINDA SÃO 23 HORAS.

Jovem 2 (irritado)

SAULO, É A REGRA PORRA! TODA NOITE É A MESMA COISA. VOCÊ RECLAMANDO QUE NÃO PODE ISSO E AQUILO. ESSA ZORRA AQUI É UMA REPÚBLICA E AS REGRAS DO QUARTO SÃO ESSAS. OU VOCÊ ACEITA OU VAI MORAR NA RUA.


CENA 03 – INT/NOITE VARANDA

O JOVEM 1 volta gritando palavrões para a varanda. Ele tem uma caneca de vidro nas mãos. Está visivelmente irritado. Bate a grossa caneca no parapeito, contendo a força da ira para não quebrá-la. Esperneia. Faz menção de que vai atirar a caneca mas ao invés do arremeço lança a caneca no chão próximo ao pé da parede dos grafites produzindo um grande som de estilhaço. Grita mais uma vez algum xingamento e sai.


CENA 04 – INT/NOITE VARANDA

O JOVEM 2 grita com o JOVEM 1 “QUE PORRA É ESSA AI VELHO!!” e vem até a varanda para entender o que ocorreu. Vê a caneca quebrada no chão e balança a cabeça com indignação. Ouve-se a porta do quarto abrir e fechar rapidamente. O JOVEM 1 entra e fica de frente para o JOVEM 2. Só podemos ver as costas do JOVEM 1 que chega irado e empurra o JOVEM 2 contra a parede de grafites. Pego de surpresa o JOVEM 2 se desequilibra e cai. Ouvimos o seu grito rasgado quando a lança que restava em pé sobre o fundo da caneca lhe perfura. O JOVEM 1 leva as mãos a cabeça diante do inesperado e começa a gritar em desespero “Meu Deus!, Caralho, caralho!” enquanto se abaixa para amparar o JOVEM 2 que já não grita. Podemos apenas ver suas pernas se contorcendo de agonia. Depois de alguns segundos o JOVEM 1 sai correndo e a câmera, ainda fixa, agora pode ver o JOVEM 2 no chão com as mãos tateando o fundo circular da caneca que pende entre duas costelas. O sangue escorre fazendo uma poça ao seu redor. Sua respiração está acelerada. Seus olhos querem saltar a orbita. Os dedos tateiam-lhe o tronco até se fixarem no na base de vidro da caneca. Ele a puxa de uma só vez. Sem força para sustentar o objeto deixa-o cair no chão e desmaia. O sangue escorre como uma cascata da fenda que existe entre suas costelas.

Fade out.



sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Carta de uma amiga...

Fuçando uns escritos antigos achei este trecho que era do projeto de um livro que nunca terminei (mais um).


Salvador, xx de abril de XXXX

Ana,

Mais uma vez passei por ele, uma beldade. Não era a primeira vez que eu o desejava, quantas vezes já fui com ele aos céus... Pena que só com o plástico lubrificado do vibrador. Porque estes homens, ou melhor esses meninos, são tão idiotas. Será que não me vêem, será que não notam que eu preciso de sexo e um pouquinho de atenção? Sou uma garota de 18 anos, estou na flor da idade, não creio em deus nem no diabo, toco música alternativa, amo maconha e literatura. Será mesmo que não existe homem à minha altura, um ser da espécie humana do gênero masculino capaz de notar que eu sou interessante, ou no mínimo que eu moro só e transpiro luxúria? Homens façam me um favor: me comam.

Sim, voltando à beldade, dessa vez eu cansei de esperar. Essa história de que se a mulher chamar o cara pra sair ela é “comida fácil” é sim um discurso machista filho da puta. Hoje eu não estava nem aí pra nada. Eu quero sexo. No fundo queria um amante de verdade, mas como isso é quase impossível no meio desse monte de retardados de pau entre as pernas, eu fico com o sexo, que é pra isso que servem esses esquerdóides tirados a algo que preste. Bem, passei por ele e resolvi voltar. Se ele vai pensar que eu sou comidinha fácil, que pense mesmo, assim é mais rápido levar ele pra casa e servir ao molho branco. E se depois ele contar pra todos... Bem isso eu acho que não vai fazer, esse é um de meus critérios, sigilo. Ele é capaz disso. Não confio com toda certeza, mas pelo que já falamos é o que parece. Ora, este é um risco aceitável.

Foi isso. Passei, voltei e convidei-o para fumar um baseado na varanda. Ele ficou sem graça, num riso bobo e nervoso. Olhei pra ele como uma mãe olha para um filho e disse “relaxe menino, a gente senta ali enrola um, fica de boa e vai pra aula... ta bom pra você?” Ele ficou ainda sem jeito mais topou. Eu por dentro nem acreditei. Primeiro no que eu tava fazendo: chamando um cara pra fumar, dando o primeiro passo numa relação, encarnando a fêmea emancipada e dona de si, segura de suas vontades... Eu tenho dezoito anos, apesar das maduras abstrações que guardo na cabeça. Quando pensei nisso, o nervosismo voltou. E diante daquele sorriso bobo eu me senti insegura: “primeiro eu vou aqui à cantina, você vai esperar aqui?” Ele concordou e eu sai em disparada.

Acredite, aquela mulher que há um minuto tinha dado o bote preciso era agora uma menina que não sabia o que fazer. Fiquei pensando comigo, será que isso, será que aquilo. Minha síndrome de dependência atacou e tive que procurar um amigo para aliviar meu estado de tensão. Disse que ele tinha de ir lá comigo, que eu não ia voltar lá sozinha, porque eu tinha receio de entrar em pânico e falar um monte de besteira, inclusive que ele era a pessoa mais linda da face da terra e que eu queria casar com ele. Nem precisa dizer que meu amigo se acabou de rir e disse que eu fosse sozinha.

Fomos os dois. Chegando lá a beldade estava com uma menina e nem veio fumar com a gente. Resumo da missa, eu me sabotei novamente. Não sei mais o que fazer comigo: quero sexo e quero amor, será que não entra na minha cabeça que não dá pra ter as duas coisas juntas nesse mundo fudido? Na ultima carta que você me mandou você dizia não querer mais saber de homens, que iria tentar com mulheres... Eu ainda não tentei, mas acho que não é pra mim. Ana, eu gosto é de pica, gosto de cavanhaque roçando nos meus seios, gosto de flores, gosto de ser passiva... Acontece que eu não suporto mais esse monte de idéias na minha cabeça, uma hora o go-go boy outra o príncipe encantado... E no fim não tenho nenhum nem outro na realidade.

Um beijo e a gente se fala mais depois, agora tenho que cuidar de algumas coisas da faculdade, afinal ainda sou uma estudante aplicada. Não esqueça de me escrever, estou ansiosa pra saber como foi a boite GLS?

Um beijo...

Clara



domingo, 12 de setembro de 2010

Tem coisa que a gente quer, mas como é que esquece?

---------- Mensagem encaminhada ----------
De: Hamilton Lima
Data: 12 de setembro de 2010 00:35
Assunto: Continue a nadar, Continue a nadar, Continue a nadar...
Para: Ítalo Mazoni


Não tenho Twitter mas quando entro em blogs de alguns amigos sempre dou uma olhado no Twitter deles... rsrs... foi desse jeito que cheguei no seu e li:
"Continue a nadar, Continue a nadar, Continue a nadar, Continue a nadar,Continue a nadar, Continue a nadar, Continue a nadar..." 28 minutes ago via web
  • Não pense, pense, não pense, pense, não pense, pense, não pense, pense... 'Continue a nadar, continue a nadar, continue a nadar
  • e me lembrei de um fragmento do Caio Fernando Abreu que me lembrou seu escrito:

    "Eu entro nesse barco, é só me pedir. Nem precisa de jeito certo, só dizer e eu vou (...). Eu abandono histórias, passado, cicatrizes. Mudo o visual, deixo o cabelo crescer, começo a comer direito, vou todo dia pra academia (...). Mas você tem que remar também. Eu desisto fácil, você sabe. E talvez essa viagem não dure mais do que alguns minutos, mas eu entro nesse barco, é só me pedir. Perco o medo de dirigir só pra atravessar o mundo pra te ver todo dia. Mas você tem que me prometer que vai remar junto comigo. Mesmo se esse barco estiver furado eu vou, basta me pedir. Mas a gente tem que afundar junto e descobrir que é possível nadar junto. Eu te ensino a nadar, juro! Mas você tem que me prometer que vai tentar, que vai se esforçar, que vai remar enquanto for preciso, enquanto tiver forças! Você tem que me prometer que essa viagem não vai ser a toa, que vale a pena. Que por você vale a pena. Que por nós vale a pena. Remar. Re-amar. Amar".

    Caio Fernando Abreu