sábado, 3 de novembro de 2012

Se Liga, Pivete! - Roteiro por Ítalo Mazoni & Eduardo Maskell

Entre 2010 e 2011 eu fiz um curso de Roteiro Cinematográfico no projeto Cine Arte, que ocorreu na UNEB, inicialmente.

Agora o vídeo de um dos roteiros produzidos foi publicado no youtube.

Eu e o companheiro Eduardo Maskell escrevemos "Se liga, Pivete", o vídeo que segue!






Parabéns e a todos os envolvidos no Projeto Cine Arte!

Tirar a fantasia do papel para a tela não é nada fácil.

Como o trabalho foi um exercício de aprendizagem, segue um link para o roteiro, como foi escrito. 

Pra quem gosta das letras e das imagens vale a pena dar uma olhada para ver como uma coisa é o texto e outra coisas é filmar... 


Se liga, Pivete! - Roteiro



terça-feira, 6 de março de 2012

Concurso Público… Dá pra passar?

Em 2012 os órgãos federais e estaduais irão oferecer pelo menos 43,8 mil vagas aos candidatos que pretendem ingressar no serviço público. O número parece grande, mas não é nenhuma novidade que as vantagens de um cargo público, como estabilidade econômica e certeza de um bom salário no fim do mês, fazem dos concursos públicos uma guerra bem mais acirrada que o vestibular, por exemplo. Só para se ter uma idéia, a concorrência no ano de 2012 para uma vaga no curso de medicina na UFBA foi de 49,67 candidatos por vaga, já para o último concurso do INSS realizado esse ano, a proporção foi de 610,18 candidatos por vaga. Diante dessa realidade a pergunta é “Dá mesmo pra passar num Concurso Público?”

Só a título de curiosidade circunstancial, a afirmativa a esta pergunta parece ser maior para os homens. Segundo levantamento feito por um site especializado em concursos, as mulheres apesar de serem maioria nos cursos preparatórios ainda são menos representadas nos quadros do funcionalismo estatal. O porquê disso? Os velhos aspectos sociais, históricos e culturais, mas isso daria uma tese e nossa questão inicial aqui é mais simples e sua resposta vale para ambos os sexos: Sim, dá para passar, mas…

Primeiro, não será sem sacrifícios. A aprovação exige um nível de conhecimento específico e enciclopédico em variados assuntos, que muitas vezes não fazem parte da sua realidade, assim, para dominá-los, horas e horas de estudo serão necessárias. Além disso, não basta “ser da área” para ir bem em um certame. Isto porque concurso público é uma forma de testagem, uma avaliação de conhecimentos a partir de um conjunto de parâmetros controlados. O que significa que não adianta ter feito direito para passar em um concurso na área jurídica. Além de ter o conhecimento exigido é preciso saber responder uma prova de concurso que no fim das contas não tem relação objetiva com a realidade. Sim, eu sei que existe uma margem de generalização das questões para o mundo real, mas o teste em si não é a realidade e sim uma cópia imperfeita dela. Ou seja, é preciso se tornar um especialista em responder provas de concurso, o que significa na prática planejamento, foco, disciplina. Tradução: Adeus baladas, cinema, TV, leituras por prazer, etc.

Segundo, não será na primeira tentativa. Nem na segunda, e talvez nem na terceira. A menos que você pertença a uma minoria de pessoas privilegiadas com uma sagacidade, inteligência e sorte fora do comum, acredite, o velho “fui bem na prova” não significa nada no mundo dos concursos. Com uma concorrência tão acirrada só dá pra dizer que com alguma certeza que se conseguiu entrar no páreo acertando no mínimo 90% da prova. Agora veja, normalmente uma prova trata sobre 3 ou 4 matérias ao longo de 60 questões, sendo que cada questão possui 5 alternativas, assim o candidato precisa, no fim das contas, avaliar ao todo 300 alternativas. Isso em 4 ou 5 horas, além de, às vezes, depois disso tudo ter que escrever uma redação. Pense comigo, mesmo estudando muito, quantos podem garantir nota 9 tentando só uma vez? Persistência é indispensável. Tanto que os “concurseiros” adoram repetir que não estudam para passar e sim “até passar”.

Texto publicado originalmente em: http://femininoealem.com.br/4016/concurso-publico-da-pra-passar-concurso-publico-da-pra-passar-concurso-publico-da-pra-passar-concurso-publico-da-pra-passar-concurso-publico-da-pra-passar/

domingo, 1 de maio de 2011

Tapando Buracos

Acontece assim... em um dia comum como qualquer outro... ontem estavam lá... hoje lhes viram a face... A amizade, como todas as relações carnais, é frágil... É delicada...
Sei que estas palavras não lhes chegarão aos ouvidos... Mas dizê-las assim... repetidas vezes dentro de mim, talvez amenize o fulgor que banha meu corpo todos os dias ao lhes ver... No café, na TV, nas escadas... Ditas assim, esculpias em epitáfio, findarão meu luto há muito iniciado... Pesar que guardava a esperança humana dos que amam: o regresso da morte. Ah, humanidade que me banha os olhos, o corpo, a alma... só tu para teres esperança... Eu de cá, racional, já antevejo... Ainda que voltem jamais serão os mesmos... Quem do lado de lá caminha não mais por aqui se aninha...
Adeus, e pela última vez, amigos.


A UM AUSENTE
(Carlos Drummond de Andrade)

Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.

Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?

Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.

Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste

quarta-feira, 27 de abril de 2011

SOBRE A FORMAÇÃO DE PESQUISADORES NA GRADUAÇÃO

SOBRE A FORMAÇÃO DE PESQUISADORES NA GRADUAÇÃO

Discurso realizado pelo estudante de psicologia Ítalo Mazoni no lançamento de uma coletânea de textos acadêmicos da série Diversidade e Convivência, produzido pela Pro-reitoria de Assistência Estudantil e Ações afirmativas da UFBA. O evento foi realizado no dia 27 de abril de 2011 e contou com a presença da reitora da universidade Dora Leal, diversos diretores de unidade, além de professores, funcionários, alunos e seus familiares.


Boa noite a todos e todas. Que bom que vocês vieram. Bem, me deram 5 minutos, mas acho que 10 não vão deixar ninguém chateado. Antes eu queria agradecer por estar aqui ao pessoal do conviver, aos meus amigos e colegas da universidade, da residência e finalmente aos meus orientadores o professor Antônio Marcos Chaves e a professora Sônia Sampaio que está aqui presente.

Esses dias eu tava em casa, lá na residência universitária, conversando com um amigo e falávamos sobre o futuro, sonhos ideais... Essas coisas que a gente vai lapidando durante a vida.

E ai a certa altura ele me deu um feedback muito interessante e ressignificou algo de minha infância.

Nós conversávamos sobre educação e educar – a velha tarefa impossível – e sobre como isso era importante para nós...

Em determinada momento eu lhe falava que... Quando era criança eu queria ser astronauta. Sinceramente eu queria ser astronauta! Conhecer o espaço, as estrelas...

Mas ai, fui crescendo e entendi o quanto isso seria difícil para um latino americano de baixa estratificação social... Então eu resolvi mudar pra algo mais fácil...

Mudar o mundo! É claro que eu vi que ia ser difícil fazer isso em uma só vida... Então pensei em algo mais real...

Mudar a educação em nosso país...

Desde lá venho perseguindo este objetivo... Inclusive meu trabalho no livro é sobre educação. Lá eu trato de como os jovens hoje não recebem nem educação e nem ensino nas escolas públicas de nosso estado...

Mas voltemos ao meu amigo... Depois que eu falei, ele parou, refletiu e disse
“é a perspectiva do observador, né? Sair da Terra para olhar de volta para ela... observar de fora e ver melhor...” Fiquei surpreso, pois nunca tinha pensado nisso... E de fato é o que me move... O procurar, o esclarecer, o compreender, o descrever... Em fim... O pesquisar, a pesquisa.

E aqui estou... publicando meu primeiro artigo acadêmico... depois de ter aprendido um monte de coisas neste universo que é o ensino superior...

Desde o primeiro semestre aqui na UFBA, eu estou inserido em grupos de pesquisa... E acreditem... Durante os últimos 5 anos e meio (ou seja, por toda a graduação) eu consegui obter bolsas... Certamente muitos dos estudantes aqui presentes podem imaginar o quanto isso foi difícil...

Mas hoje estamos até melhorando, temos o programa Permanecer com suas tantas bolsas... Mas ainda não é suficiente quando se trata de formação através do ensino, da pesquisa e da extensão.

Todos sabem que não basta dinheiro para Permanecer, é preciso mais... é preciso igualdade de oportunidades.

Me digam ai, depois ouvirem essa minha fala sobre ser astronauta, amar a ciência e mudar mundo... Vocês seriam capazes de adivinhar qual foi minha prioridade numero 1 durante cinco anos e meio de formação? Estudar, aprender uma profissão, me tornar um pesquisador...

Sobrevivência meus caros... Essa foi minha prioridade... Estou falando aqui, de ter quer colocar em primeiro lugar a bolsa e em segundo plano qualquer outra coisa...

Ou os professores aqui presentes acham mesmo que todos os seus bolsistas estão nas suas pesquisas porque amam o tema? Eu acho que não...

Nós, com pouco ou nenhum recurso financeiro, depois de alcançarmos o sonho de chegar a universidade aprendemos a duras penas que mais vale a bolsa que o ideal...

Afinal, sem bolsa eu não tenho nem como terminar a graduação, não é?

Mas há quem possa escolher... Quantos colegas de curso eu ouvi dizer “vou largar essa bolsa... odeio só ficar transcrevendo entrevista” e largavam mesmo...

Bom para eles... que tinham essa opção. Pior para nós que, enquanto estudantes, ainda precisamos Trabalhar para ganhar dinheiro ao invés de ganhar dinheiro para estudar...

(Pausa)

Bem, tem outra coisa além da igualdade de oportunidades que necessária a uma boa formação...

Vamos supor que, com alguma sorte, o cara tenha conseguido juntar a necessidade da bolsa com o tema de pesquisa que realmente desejava.

Tudo resolvido? Teremos em fim um pesquisador com sólida formação, capaz de contribuir efetivamente e eticamente com o desenvolvimento da nação?
Bem... Antes disso tem a orientação...

(?) Quantos dos bolsistas aqui presentes já ficaram revoltados com ordens meramente “tarefeiras” dos orientadores?

(?) Quantos aqui chegaram à primeira orientação ou reunião de grupo de pesquisa, altamente empolgados para aprender a fazer pesquisa e receberam “nos peitos” uma entrevista de 2 horas para transcrever?

Pior que isso mesmo, só aquelas tarefas que não têm ligação nenhuma com a pesquisa... “Faça isso, vá ali, veja aqui, resuma aquele texto para o mestrando, levante aquela bibliografia para o doutorando, você ainda me deve 2 horas das vinte semanais então fique no laboratório...”

E você lá, sem saber onde seu plano de trabalho vai entrar, sem saber como interpretar aqueles dados, sem saber como redigir um artigo, sem aprender metodologia de pesquisa, sem entender nada de obtenção de recursos, matando o tempo na internet só para cumprir a carga horária...

Mas quando chega a hora do relatório final... Adivinhem! Você é cobrado como se alguém tivesse te ensinado alguma coisa...

Depois disso, milagrosamente, pode aparecer um artigo do seu orientador com o seu nome de apêndice...

E pela primeira vez você entende para que serviam aqueles dados... Vê que alguém (seu orientador) sabe utilizar os instrumentos de interpretação de dados... E percebe, finalmente, que você é mera mão de obra barata... E não um pesquisador em formação.

Ah, seria injusto não lembrar aqui que às vezes acontece o contrário...
O bolsista se mata de estudar e trabalhar, faz um belo artigo sozinho, e no final, na hora de apresentar em algum congresso, tem que colocar, obrigatoriamente, como co-autor o seu querido orientador que não fez nada além de assinar os papéis...

E não acaba ai... depois de um ano de pesquisa... Chega o momento de renovar ou não bolsa...

Você queria muito largar esse projeto... Mas ai olha para os longos anos que faltam para o fim da graduação e pensa... “melhor ter uma bolsa na mão, do quer ser parte do índice de evasão.”

Para encerrar...

Assistência estudantil e recurso para o desenvolvimento da ciência não é ajuda social, não é caridade da universidade, não é amor do Reitor, Pró-reitor nem do orientador pelos seus alunos... É investimento do Estado no desenvolvimento da nação.

Quando um estudante deseja ser um pesquisador e consegue uma formação sólida... Ele é capaz de cumprir o compromisso de retornar em benefícios para a sociedade aquilo que ela lhe ofereceu com uma formação pública, gratuita e de qualidade.

Mas se ele passa toda a vida acadêmica servindo de mão de obra barata, e tendo que pensar no pão de amanhã de manhã, como é que ele vai poder dar este retorno?

Eu sei que a desigualdade está por todos os cantos da universidade... Mas estou tratando deste problema em relação à formação de pesquisadores.

Por conseguinte, alguns gestores e professores em protesto poderiam vir me dizer que eu alardeio essas coisas apenas porque não conheço a burocracia que permeia o fazer acadêmico, porque como estudante eu não tenho que multiplicar minha produção acadêmica para ganhar bolsa de produtividade, que eu não sei o que é prestar contas de recursos públicos, fazer relatórios, orçamentos, orientar mestrandos e doutorandos, dar aulas...

É, pode ser que eu não saiba. Mas sei que não é mais possível apenas supervalorizar os alunos que são exceções, tomando-os como provas de que a formação em pesquisa funciona de modo equivalente para todos. Quero crer que apesar de todos os artigos e relatórios a preencher, os senhores sabem que é possível agir de modo diferente... A questão é vocês querem?

Nós aqui hoje, publicando estes artigos, somos as exceções, nossas trajetórias certamente são ricas em superações... Ótimo para nós... Que sirvamos de exemplo e inspiração... Mas que nunca nos tomem como exemplo de que as oportunidades estão ai para quem quiser... Que nunca nos usem como símbolos de que “basta querer para chegar lá” porque nem sempre é assim.

Nós encontramos modos de driblar as determinações e sustentar nossa escolha pela pesquisa...

(?) Mas quantos milhões de jovens, aqui e lá fora, se quer puderam sonhar um dia em serem astronautas?

Muito Obrigado.


Sobre o lançamento dos livros: http://www.ufba.br/noticias/proae-e-edufba-lan%C3%A7am-livros-do-projeto-conviver

http://www.ufba.br/noticias/proae-e-edufba-lan%C3%A7am-livros-do-projeto-conviver

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Mither v. (Britânico) irritar, importunar; reclamar

Desassossegado
Pensei te bordar em verso
Mas paralisei
Já és epígrafe de um verbo

à Mither Amorin

sábado, 26 de março de 2011

Velações...

Anseios como tripas inquietas percorrem os descaminhos do meu dentro.
Fincadas no barro da existência, caladas de letras ou logicismos tudo é pulsar.
Desespero quando tudo aqui quer ser ao mesmo lugar e tempo.
Lá e cá na testa e no mindinho a angústia circula no meu veneno.

Deixa-la partir nas razões é vão
Ela jamais tomara o rumo da prosa.
Tranca-la à sete mágoas da consciência!
Mas não tardaria de virem mil anos para fazer do cemitério
Terreno remexido e tornar a se abrir o caixão.
O que finda em mim pede cerimônia de Adeus
Beber o morto, cafezinho vela e sermão...

Cessa teu vagar espírito de apego!
Deixa a barriga digerir e obrar
Qualquer pedaço que pode o desejo abocanhar


Ítalo Mazoni

segunda-feira, 21 de março de 2011

Só...

Só choro
Só Grito
Só Calo

Só vivo
Só Morro
Só Sou